Lost Planet: Extreme Condition - Colonies Edition

Introdução

Lost Planet: Extreme Condition foi lançado originalmente para Xbox 360 em janeiro de 2007, recebendo críticas acima da média nos sites especializados. Alguns meses depois, no mesmo ano, o game ganhou uma conversão para o PC, arrematando mais uma série de jogadores. Foi então que a Capcom teve a brilhante idéia de, fazendo uso das redes Windows Live e Xbox Live da Microsoft, possibilitar aos jogadores das duas plataformas se encontrarem em partidas online – sem deixar de incluir extras e novidades, é claro. Na versão Colonies Edition, os jogadores vão experimentar a “jornada para uma nova fronteira de neve gelo” – conforme diz o manual. A edição inclui novos mapas e modos multiplayer, assim como novos personagens e armas.

O cenário de acontecimentos se situa em um futuro distante, no qual a Terra se tornou um lugar hostil e inabitável para o gênero humano. A exploração espacial e a colonização de planetas se tornaram a principal urgência para humanidade. Nesta busca, o planeta EDN III, apesar de ser extremamente frio, foi escolhido como um dos locais ideais. Entretanto, os colonizadores foram surpreendidos pela fúria e violência dos habitantes alienígenas locais; a raça Akrid, composta de monstros gigantescos. Em um primeiro momento, os humanos desistiram da idéia, mas quando perceberam que tais monstros guardavam uma fonte de energia térmica em seus corpos, o combate foi a única opção. Para enfrentar os grandes ‘insetos’, os humanos desenvolveram um novo equipamento militar, uma espécie de exoesqueleto robótico capaz de dar poder de fogo aos soldados e equilibrar a batalha.

Esta é a história que Lost Planet propõe ao jogador, que deve encarnar o jovem Wayne Holden com uma missão bastante tumultuada de batalhas épicas pelo caminho, em um roteiro que traz algumas interessantes reviravoltas. Confira abaixo a nossa impressão deste game:


Jogabilidade

Em poucas palavras, Lost Planet é um jogo de ação em terceira pessoa, onde você explora o cenário a pé ou fazendo uso de robôs a fim de eliminar uma variedade de inimigos. Pode parecer um tanto simples tal descrição, mas ela é fiel à própria simplicidade do game, que faz uma grande homenagem ao estilo arcade, e acerta na maioria das vezes em como isso se desenrola na tela. Isso porque a estrutura do game leva o jogador sem rodeios para a ação: [1] cinemática, [2] exploração do cenário com combate e [3] chefe de fase. Prova disso é que já no primeiro contato com o game, o jogador será conduzido a uma batalha com um gigantesco Akrid. Não tem como não dizer “uau!” logo de cara; mas de fato o melhor de tudo é que há muita coisa pela frente para deixar o jogador de queixo caído! É o estilo de game que mantém o jogador alerta, não deixa a peteca cair.

Depois da cinemática que explica um pouco o roteiro do jogo e a trajetória conturbada do personagem principal, controlamos diretamente nosso personagem pelas superfícies geladas de EDEN III. Wayne corre, pula, rola lateralmente e é capaz de lançar uma corda para alcançar lugares mais altos do cenário. A boa notícia é que, mesmo vindo de outra plataforma, os controles estão perfeitamente adaptados para PC. A única coisa que vai confundir de início são as telas rápidas de tutoriais que somente mostram os controles do jogo para o gamepad do Xbox 360 – mas basta ter um pouco de curiosidade ou consultar o manual que se aprende rapidamente o seu uso no teclado e mouse.

Com parte da exploração do cenário, existem diversos postos de dados que precisam ser ativados para revelar novas partes do mapa. Estes postos também são importantes porque, quando ativados, recarregam o nível de energia térmica (T-eng), já que por causa do frio ela diminui constantemente e pode levar à morte do personagem. A T-eng também se encontra em barris, em certos objetos, em grandes reservatórios, mas sua principal fonte são os inimigos, especialmente nos corpos dos Akrids levando o jogador ao duelo inevitável.

A ação do jogo é frenética em alguns bons momentos e vai melhorando conforme o jogador avança. O combate em si funciona exatamente como uma faca de dois gumes, pois é ora é o ponto fraco do game, ora é o ponto forte. A luta contra humanos é uma piada de mal gosto, pois graças a uma inteligência artificial nula, os soldados não se esquivam ou se organizam, apenas esperam como alvos fáceis e atiram de volta. Alguns possuem armas mais poderosas, dando algum desafio, mas mesmo assim não compensa a decepcionante IA. No entanto, tudo muda diante dos inimigos mais poderosos, como robôs e Akrids - especialmente estes grandes insetos. Eles se comportam de maneira selvagem! Alguns têm movimentos inesperados, convulsões de loucura e se utilizam bem do cenário. Outros se aproximam com algum receio, vindo em bandos e devagar, mas são igualmente mortais!

Já os chefes de fase são a melhor coisa deste game. A maioria deles sequer cabe na tela devido ao tamanho titânico. Quando pensamos que já enfrentamos o maior, sempre nos surpreendemos com o tamanho ou design do próximo. As batalhas com eles são épicas e marcantes, seguindo sempre o estilo arcade, no qual tem que se atirar em uma parte mais fraca, obrigando também o jogador a memorizar os certos movimentos do monstro para saber a hora certa de atirar.

Mas como fazer para enfrentar inimigos tão grandes e poderosos? A resposta é Vital Suit (VS) ou Traje Vital. Como já adiantamos na introdução, o VS é um robô enorme no qual o personagem entra e controla. Lembra-se das batalhas finais dos filmes “Aliens, O Resgate” ou do recente “Iron Man”? Sempre teve vontade de controlar um robô como aqueles? Neste jogo você satisfaz essa vontade! Há uma variedade de robôs disponíveis por várias partes do cenário, aliás, sem eles, o jogo ficaria impossível. Eles dão ao jogador poder de fogo a altura das monstruosidades do planeta e a capacidade de voar por determinado tempo. Em estágios mais avançados, alguns deles podem mudar em até duas formas. O uso inteligente deste recurso no game acrescenta diversão e profundidade nas batalhas.

Entre as armas que o jogador pode usar estão metralhadora, rifle, escopeta, lança-foguetes, rifle de energia e rifle de plasma. As exclusivas do modo online são pistola e canhão de mão. Há também uma diversidade de granadas: a de mão, de disco, adesiva, e a de plasma. Também no modo online há algumas granadas exclusivas para armadilhas, outras incendiárias e ainda as que geram explosões de energia. As novas armas desta versão são o revolver, hand-gun, e lança-chamas (exclusivas para o modo online). Infelizmente, só se pode carregar duas armas de cada vez e a maioria delas não desperta muito interesse ou utilidade pela mira ou pelo fraco poder de destruição. É provável que o jogador se concentre em duas de sua preferência e assim permaneça por boa parte do tempo.

Os robôs controláveis pelo jogador também podem utilizar diferentes armas. Bem diferentes das armas convencionais, estas são de grande porte e fazem um estrago interessante, podendo também ser usadas sem o robô: metralhadora, lança-foguetes, rifles laser, escopeta, lança-granadas, laser EM e laser teleguiado. No modo online, temos o bate-estaca, lança-mísseis, lança-laser, rifle VS. Aqui de fato o jogador sentirá um bom poder de fogo e algumas armas poderosíssimas.

Uma vez que finaliza o modo campanha e procurar novos desafios, esta versão para PC traz ao jogador quatro novos modos de single-player. No Trial Battle Mode, lutamos contra os chefes que aparecem um após outro durante a campanha, com o diferencial de que a energia e as armas são transportadas para a próxima fase, permitindo que guardemos as armas específicas para chefes futuros. Já no Score Attack Mode, todos os inimigos e objetos destrutíveis possuem pontos de valor. O jogador deve tentar obter em cada fase o máximo e pontos. Como fator de motivação, estes dois modos possuem ranking online. Se jogador decidir jogar uma missão em modo máximo, poderá escolher o Ulimited Mode, que permite fazer uso de um arsenal incrivelmente poderoso e maior velocidade. E, por fim, há o modo First Person Shotter, que permite vivenciar as aventuras do game como se fosse um jogo de tiro em primeira pessoa, ao invés da tradicional visão em terceira pessoa.


Áudio

Os efeitos sonoros dão literalmente todo o “peso” que este jogo necessita. Seja na pesada movimentação dos monstros, seja na destruição do cenário, seja no movimento do Traje Vital, tudo é ensurdecedoramente grandioso e detalhado! O urro dos gigantes Akrids fazem jus aos melhores filmes de dinossauros e outras monstruosidades que já vimos. Muito próximo de uma produção de cinema!

A música condiz com a ação e cada chefe de fase tem uma música de combate para dar mais emoção. Às vezes, começa um tanto brusca, mas nada que atrapalhe.

O som dos personagens está ótimo e pode ser conferido especialmente nas cinemáticas, mas há vários detalhes durante a partida, e podemos assim dizer que o som de Lost Planet realmente é, além do visual, uma das partes mais importantes deste game.

Aqueles que puderem jogar com caixas acústicas grandes ou em sistemas surrounds poderão aproveitar todo o potencial sonoro que o jogo pode oferecer, além de assustar a vizinhança.


Multiplayer

LP Colonies Edition traz várias novidades no modo multiplayer e a mais importante delas é a o uso da tecnologia cross-platform. Trata-se de uma integração de redes Xbox Live e Windows, o que permite que os jogadores de Xbox 360 e de PC possam jogar simultaneamente a mesma batalha, de 2 a 16 jogadores.

No papel, isso parece ser muito prático, mas na realidade a configuração para se jogar multiplayer é um tanto burocrática. Não basta apenas instalar o jogo e criar uma conta no modo multiplayer. Como o Windows Live não está disponível no Brasil, é necessário criar uma conta nos EUA (com o CEP de uma região americana) e preencher os dados nos sites da Microsoft onde os links para tal tarefa não são tão simples de achar (similar para quem tem um console Xbox 360 e deseja se cadastrar na Live). Felizmente há bastante ajuda na internet em como fazer tal procedimento e, depois disso, o jogador não encontrará mais dificuldades. As outras novidades são 4 mapas e modos de jogo inéditos, sendo que a mais bacana um dos modos que consiste numa batalha onde é possível controlar Akrids, robôs e humanos.

Portanto, para aqueles que acham que o jogo é curto nas suas missões em modo solo, poderão se surpreender com a grande variedade dos modos que descreveremos agora. Os dois principais são Team Battle e Single Battle. O primeiro modo, como o próprio nome diz, os jogadores se dividem em times que se enfrentam nas seguintes modalidades: Team Elimination – todos lutam para que o medidor da batalha de uma equipe chegue ao zero; Point Snatcher – o jogador coleta pontos matando o adversário e no final ganha a equipe com mais pontos; VS Aniquilator - cada time possui um VS que deve ser destruído pelo adversário; Post Grab – disputa pelos postos de dados no mapa; Counter Grab – deve-se controlar um único posto de guarda por um tempo definido; Akrid Egg Battle – os times devem pegar o ovo do Akrid e levar até o objetivo; Egg Bandit – Combate para ver quem consegue controlar o ovo da Akrid por mais tempo.

Na batalha individual, temos o modo Elimination; Egg Bandit; Fugitive – uma verdadeira aos jogadores fugitivos e Akrid hunting – uma batalha entre Akrids e caçadores.

Embora há algum tempo atrás muitos reclamaram a respeito de problemas no multiplayer, ao que tudo indica os mesmos foram sanados. O jogo se comportou muito bem online, apresentando sempre uma boa conectividade com a Rede Live, mostrando que a tecnologia cross-plataform de fato funciona.


Gráficos

Os gráficos do game poderão parecer um pouco datados de início, mas o que realmente faz diferença aqui é a quantidade de efeitos misturados a eles. A fumaça das explosões preenche toda a tela, assim como o fogo parece querer chamuscar até mesmo o jogador. O Motion Blur somado ao uso ostensivo de efeitosdá um resultado final impressionante, especialmente nas batalhas épicas, deixando tudo cinematográfico. O que pode incomodar um pouco é o excessivo branco no HDR já que o jogo passa boa parte sobre o gelo.

As fases no geral são grandes, algumas com ótimo desenho e estrutura, mas outras bem óbvias e inferiores. Na maior parte do tempo há uma grande linearidade, mas em certos momentos é possível escolher caminhos diferentes, o que aumenta bastante a diversão. Há vários objetos que podem ser destruídos pelo caminho e a maioria deles geram explosões interessantes.

Como se trata de um planeta frio, a maior parte do que vemos se passa na neve. Mesmo havendo montanhas, cidades abandonadas, cavernas e planícies, o fator neve parece deixar tudo com uma aparência homogênea, não aproveitando assim todo o potencial gráfico do jogo. Mas não se deixe enganar por esta impressão, pois a partir do nível 8 o jogo começa “esquentar” em todos os sentidos, atingindo grandes níveis de realismo com a presença da lava.

A arte do jogo foi muito bem produzida e vemos isso no design dos Akrids. Inspirados nos pequenos insetos do dia-a-dia, os monstros do game tem visual apurado, animações surpreendentes, ação destruidora e rendem as batalhas mais épicas e visualmente detalhadas vistas em um jogo de vídeo game. E para os felizardos que possuem um PC veloz com o Windows Vista, o jogo traz suporte para DirectX 10, dando acesso a efeitos ainda mais impressionantes.

Há ainda alguns bugs e incompatibilidades gráficas, pois em algumas fases no modo máximo experimentamos travamentos, o que nos obrigou a diminuir a qualidade dos efeitos em lugares específicos, mesmo com uma máquina acima da média.


Conclusão

Uma grande homenagem ao estilo arcade, com chefes de fase gigantes, jogabilidade intuitiva, ação desenfreada e momentos explosivos, Lost Planet: Extreme Condition - Colonies Edition é o jogo ideal para aqueles que desejam matar enormes monstros em batalhas épicas em uma estrutura simples que leva direto a ação.

E diferente de vários jogos que “entregam o ouro de cara”, Lost Planet funciona como uma sinfonia, vai crescendo em intensidade conforme o jogador avança, reservando sempre uma boa surpresa, especialmente nos chefes de fase. Apesar de certa burocracia para configurar o multiplayer, o jogador encontrará bastante variedade no mesmo e mais horas de diversão nos novos modos de jogo e conteúdo disponibilizados nesta versão.

Recomendamos a todos que desejam experimentar ação visceral, mas é uma pena que aqueles que compraram a edição anterior não tenham a opção de dar um upgrade para a Colonies Edition.

0 y gay:

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