O Poderoso Chefão 2

De volta ao mundo da máfia

Motivada pelo sucesso do primeiro jogo, a Electronic Arts preparou O Poderoso Chefão 2, game que dá oportunidade ao jogador vivenciar a ascensão de um membro da máfia até o estado máximo de honra e poder: o status de Padrinho (Godfather). Baseado nos clássicos filmes da trilogia (do diretor Francis Ford Coppola), o jogo traz todo o ambiente da máfia já conhecido não apenas por essa série de filmes, mas também presentes em filmes como "Os Bons Companheiros", "Era uma vez na América" e "Cassino".

Em Godfather II, o jogador acompanha a saga da família Corleone, exercendo juntamente com outras famílias mafiosas um domínio opressor e criminoso dentro da sociedade americana nas décadas 50 e 60, usando da força e intimidação para ampliar seu império de negócios. A história do jogo não foge aos lugares comuns que já vimos em filmes que abordam o tema e há alguns momentos de brilho e surpresa, todavia esta seqüela poderia surpreender o jogador? Acompanhe nesta review se este retorno ao mundo da máfia se dá ou não em grande estilo.

Atacar, extorquir e dominar

O Poderoso Chefão 2 se resume em basicamente dominar os pontos comerciais da cidade que pertencem a outras famílias rivais. Esses pontos dividem-se em Rackets (atividades ilegais, como drogas e armas) e Fachadas (negócios legítimos usados para lavagem de dinheiro). Há diversos estabelecimentos semelhantes pelo cenário como, por exemplo, lugares que vendem jóias, outros de entretenimento e assim por diante. Quando se domina todos os estabelecimentos do mesmo gênero, você ganha o domínio sobre uma Aliança do Crime, o que garante bônus imediatos - munição incendiária, carro blindado, colete a prova de balas, ganho dobrado, entre outros.

A fim de dominar um estabelecimento ou negócio, é necessário extorquir o proprietário do local. Para isso o jogador deve eliminar os guardas da família rival e ganhar acesso ao dono em lugares nem sempre fáceis de achar. Há uma espécie de minigame para extorquir, que consiste em uma pequena barra que indica o momento certo do sucesso. Alguns donos são mais suscetíveis a certos tipos de intimidação: uns a murros, outros se acovardam facilmente se seus estabelecimentos são destruídos, ou mesmo quando há uma arma apontada para eles. Mas há de se ter cuidado porque existe um limite e se o medidor estoura, será necessário esperar o estabelecimento reabrir.

Após conquistar o local, o jogador deverá contratar guardas, já que os contra-ataques sempre acontecem. O segredo é contratar sempre o número máximo de vigilantes, pois mesmo que fique um pouco mais caro, as missões e favores acabam cobrindo o caixa. Além disso, é bom roubar um banco ou arrombar os cofres dos estabelecimentos de vez em quando para dar uma ajudinha nas finanças.

O jogador pode também tentar enfraquecer as famílias mafiosas rivais, matando seus líderes, diminuindo assim a quantidade de guardas nos pontos comerciais. Para essa ação, o ideal é conseguir obter favores. Basta encontrar alguém na rua e conversar (há diversos ícones explicativos), em seguida fazer uma missão para essa pessoa, que libera, por exemplo, a localização de algum líder. O detalhe é que tal líder tem que ser morto de uma maneira específica: alguns jogados no lago, outros com um tiro de sniper, etc. Depois de atacar e conquistar todos os negócios de uma família rival, o esconderijo da mesma é liberado. O objetivo é então invadir o QG do inimigo, enfrentar os capangas e literalmente explodir tudo!

Ainda que a jogabilidade aparente ser interessante e variada, na verdade o processo a ser seguido é quase sempre o mesmo: [1] pegar munição na safehouse, [2] atacar e dominar um negócio e [3] contratar os guardas para vigiar - e assim sucessivamente a perder de vista. Se o jogador optar por favores, conseguirá um pouco de variedade, mas o game não foge muito desta constante fórmula repetitiva.

Estratégia, upgrades e habilidades em combates viscerais

Há várias novidades em O Poderoso Chefão 2 se comparado com o seu antecessor, como um enfoque maior no lado estratégico. Um exemplo disso é a Visão do Chefão, que permite através do mapa obter informações sobre um local ou mesmo saber que estabelecimentos estão sendo atacados. Isso possibilita o envio de capangas para defender o local sem necessariamente interromper o jogador no que ele está fazendo. Também por meio desse recurso pode-se mandar um membro da família atacar determinado local ou mesmo mandá-los pelos ares.

E por falar em família, um das interessantes possibilidades do jogo é o fato de se poder montar a própria família mafiosa. Há uma árvore genealógica na qual gerenciamos os gangsteres, permitindo que três deles joguem cooperativamente conosco o tempo todo. Há uma série de possibilidades para melhorar a equipe, desde escolher os armamentos, comprar habilidades específicas, melhorar a saúde, entre mais upgrades – tudo a preço de ouro!

A equipe também pode ser escolhida em cima da habilidade de cada membro. Por exemplo, ter um médico na família ajuda durante o tiroteio; caso alguém seja abatido poderá ser “ressuscitado”. Mas existem outros que são especialistas em abrir cofres, detonar explosivos, quebrar portas ou mesmo cortar a linha de telefone para que o local assaltado não consiga chamar reforços. Conforme se avança no jogo, os membros da família podem ser promovidos, ganhando mais poder e habilidades extras e alguns destes upgrades estão disponíveis apenas se o jogador tiver um bom desempenho nas partidas multiplayer.

É bom reservar (muito) dinheiro para investir na sua equipe, pois o ponto alto do game são os tiroteios e pancadarias. Com uma boa seleção de armas, não há como não se sentir um mafioso dominando a cidade. O fato de o jogo ser cooperativo, ou seja, você joga com uma equipe controlada pela IA (que às vezes deixa a desejar) contra quase sempre um número bem maior de inimigos, torna os momentos de ação bem interessantes. Cenário quebrando, gente assustada correndo ou se protegendo e os capangas fazendo chover bala para todo!

No quesito pancadaria o jogo não decepciona. Agora o jogador poderá pegar um inimigo e agarrar, arrastar, balançar, levantar, ameaçar, golpear, esmurrar, estrangular, chutar, etc. Quando a briga envolve vários no meio da rua é ainda mais realístico. Mesmo assim, apenas algumas situações de combate são realmente desafiadoras.

Som de primeira, gráficos de segunda

Não há do que reclamar da trilha sonora e dublagem do jogo. Até porque, o tema musical é o mesmo do filme, recebendo, é claro, um novo e interessante arranjo. Só isso já confere ao jogo uma grande qualidade musical. Outras músicas podem ser ouvidas nas rádios dos carros, mas não se destacam muito porque não se dirige o suficiente para ouvir em cenários tão pequenos. A dublagem é ótima, com boa qualidade e interpretação.

Já na parte gráfica, o jogo não apresenta a mesma consistência. Apesar da ótima performance no geral, tirando as irritantes travadinhas quando dirigimos em alta velocidade, os gráficos são visivelmente datados. A sensação de se estar jogando um dos jogos mais antigos da série GTA é onipresente. Mas fica apenas na sensação, pois o mapa é drasticamente menor e a interação é mínima. Há partes irregulares e bem feias (como a água da praia) e o sistema que simula o clima e variações no tempo é fraco demais.

Os três locais básicos que o jogador irá explorar são Nova York, Miami, e Havana (este mais ao final do jogo). O mapa de Nova York mais parece uma junção de alguns quarteirões. Miami se configura em um tamanho perto do ideal. Havana é um cubículo, que dá para atravessar a pé. Os carros são em geral difíceis de controlar, mesmo usando o freio de mão para as manobras, tornando os atropelamentos quase que inevitáveis.

O design das cidades não apresenta nada de impressionante ou muito variado. Nas ruas só se vê gente bonita e no auge da saúde. Além disso, só podemos entrar nos edifícios que o jogo permite, o resto é enfeite, ou seja, há muito enfeite e pouco conteúdo para interação de fato. Mas mesmo entre os prédios que o jogador irá entrar, há bastante repetição de cenário e de estruturas. Os bancos, por exemplo, aparentam sempre o mesmo interior.

As animações, por sua vez, são caprichadas, com boa captura de movimentos. Quando enfrentamos alguns inimigos no combate, eles reagem aos tiros de forma bem convincente, caminhando para trás, perdendo o equilíbrio e por fim caindo. Se o jogador usar uma potente metralhadora, verá o sujeito estremecer enquanto é peneirado. Expressões faciais estão muito bem feitas, transmitindo exatamente a emoção do momento.

Em relação à interface, temos várias telas diferentes para que o jogador possa administrar a construção de seu império. Há o mapa principal, a lista de locais a serem dominados, assim como as famílias, entre outras informações e recursos. Mas é tudo feito de uma maneira tão confusa, que demora um pouco para que o jogador perceber como os detalhes do sistema funcionam. Só depois de um tempo que o jogador vai se familiarizando com o mapa. Mesmo assim, terá que ter paciência com ícones irritantemente sobrepostos (como quando há duas missões no mesmo lugar).

O personagem que controlamos não consegue pular e enfrenta sérias dificuldades para se locomover em alguns locais específicos. Ou mesmo, quando fica uma “turma” em frente a uma porta, ninguém dá licença para o personagem passar. É preciso muitas vezes agir como se fossem cachorrinhos de estimação, enviando a equipe a um lugar, para poder passar pelo outro. Para finalizar a análise deste ponto, observamos também que as cinemáticas e diálogos não podem ser pulados e a câmera do jogo apresenta esporadicamente algumas dificuldades.

Multiplayer apagado

O Poderoso Chefão 2 usa um sistema que incentiva o jogador a realizar partidas online – onde ganhamos upgrades e consegue-se dinheiro extra para o modo campanha, além de upgrades, skills e armas para tornar o jogo online mais interessante.

Há 4 modos de jogo: Team Deathmatch, Ataque por Demolição, Incendiário e Arrombador. O primeiro é o clássico mata-mata em equipe que todos já conhecem. O Ataque por Demolição consiste em explodir certos lugares e abrir novos caminhos no mapa para o ataque. O modo de jogo Incendiário estabelece que os jogadores coloquem fogo em lugares específicos do mapa para multiplicar pontos. E, por fim, o modo Arrombador exige a escolta em equipe de um especialista para abrir à força um cofre. Cada modo de jogo exige um tipo de estratégia, ou mais voltada para ação, ou para cautela com alguma estratégia.

A Visão do Chefão também é possível no multiplayer (depois de instalar o patch), podendo fazer com que o jogador escolhido para usá-la possa liderar sua equipe estrategicamente pelo mapa, já que terá uma visão geral do posicionamento dos inimigos. Mas, o fato é que, mesmo com tantos incentivos, o multiplayer de Godfather 2 não empolga, no geral a ação fica prejudicada pelos pobres movimentos do personagem frente aos obstáculos e dos monótonos mapas.

Boas idéias, mas sem o polimento devido

Antes de finalizarmos nossa análise, não podemos deixar de considerar as diversas falhas, bugs e situações ilógicas do game, que até possuem boas idéias, mas no geral demonstram pobre desenvolvimento das mesmas. Se em GTA deveríamos realmente despistar a polícia, neste jogo, ao roubar um banco, não importa a quantidade de policiais sobre nós, basta correr para a Safe House, que do nada eles se esquecem. Basta entrar na porta e sair em seguida que vemos a polícia na rua procurando "alguém", que não é mais você.

Outro fator muito comum é a quantidade de favores ilógicos. Gente que pede para assassinar o dono de um dos estabelecimentos que você protege – ou mesmo explodi-los – atitudes que obviamente sabotaria seus próprios negócios. Em outra situação de favor, alguém deu a missão de matar outra pessoa, que estava HÁ DOIS METROS AO LADO.

O sistema de atacar negócios e estabelecimentos também carece de polimento. Basta o jogador encontrar rapidamente o dono e intimidá-lo. Após isso, contratam-se os guardas e, como num passe de mágica, eles se materializam no local e eliminam os bandidos! Inclua no caldeirão diversos bugs: IA burra, personagens NPC flutuando, inimigos que correm mas não enxergam você, carros que somem no meio da pista do nada, e mais.

Para completar, some ainda as missões sem brilho da campanha principal e a incoerência do roteiro. Mais ao final do jogo, recebemos a missão de matarmos um sujeito e o personagem principal fica preocupado por estar em um lugar público. Isso depois de toda destruição, assassinato e atropelamentos feitos em mais de 10 horas de jogo PUBLICAMENTE, o sujeito fica preocupado, vejam só!

Vou ou não vou?

Como entretenimento passageiro, raso e um tanto repetitivo, O Poderoso Chefão 2 funciona muito bem. Há algumas estratégias alternativas para concluir as missões, mas nenhuma delas chega a ser tão prática e empolgante para tirar o jogador da rotina de pilhar estabelecimentos e contratar guardas. Os que são fãs da franquia e menos exigentes poderão encontrar aqui bastante diversão – vale pela ação e pela oportunidade de viver como um mafioso!

Mas, para aqueles mais críticos, só a informação de que a EA recentemente afirmou que não pretende fazer um terceiro jogo da franquia já é um sinal para se manter distante deste título. Afinal, não seria quase uma admissão pública do fracasso deste último game?

0 y gay:

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