Shadow Complex

Introdução

Ainda existe espaço para games no estilo Metroidvania - gênero marcado pelas franquias Metroid e Castlevania, onde o jogador anda apenas horizontalmente por entre as fases na clássica estrutura de ação com aventura - nos dias atuais? Se o gênero parece ultrapassado para os ambientes em 3D com jogabilidade complexa tão cultuada nos dias atuais, Shadow Complex parece ter vindo para provar que nunca é tarde para renovar um estilo, sem perder suas origens.

Criado pela Chair (a mesma responsável por Undertow que também ganhou destaque na Live Arcade no final de 2007), adquirida no começo de 2008 pela respeitada Epic Games, o game se passa nos dias atuais, baseado no romance “Empire” de Orson Scott Card, colocando você na pele de Jason Flemming, um sujeito normal que durante um típico encontro com uma garota próximo de uma floresta, tem a sua acompanhante sequestrada por um grupo militar revolucionário, colocado então o personagem em uma circunstância de resgatá-la ou deixá-la morrer, o que acaba lhe envolvendo no descobrimento de uma conspiração que almeja atacar os Estados Unidos.

O velho e o novo

O jogo utiliza a Unreal Engine 3, e faz um ótimo uso da mesma, apesar da paleta de cores não ser muito diversificada. Notamos um pouco de serrilhados e problemas de carregamentos de textura em certas partes do jogo. Porém para os padrões de jogos da Xbox Live Arcade estão ótimos, chegando facilmente ao topo de tudo o que vimos até hoje, ainda mais se levarmos em conta que o game todo tem apenas pouco mais de 800 MB. O jogo está recheado de cutscenes e os ambientes são bastante diversos e amplos, do refeitório do complexo à fábrica, passando por minas, lagos e laboratórios de pesquisa. Porém, fica impossível deixar de notar em certos momentos o carregamento de textura que chegam a incomodar, como quando passamos em um local pela primeira vez e tudo parece muito bonito, mas às vezes, ao sair e após um tempo religar o jogo, a textura está carregando ainda e acaba tornando a parede de certa forma “lavada”.

A estrutura do jogo é bastante semelhante a de qualquer Metroid ou Castlevania, então prepare-se para bastante exploração, itens coletáveis, passagens secretas e “backtracking”, tudo em um ambiente chamado de 2,5D, que mistura gráficos bem criados em 3D com jogabilidade em 2D, onde se pode apenas andar para os lados. Temos portas que são abertas somente com certos itens como, por exemplo, granada ou míssil, ou através da ação para desativar uma corrente de energia, ou até mesmo inundar um andar inteiro. O “savegame” é dinâmico, basta passar pela sala que o jogo automaticamente salva para você, sem requerer subir em algum pedestal ou área específica. Mas o que mais sentimos falta em Shadow Complex foram realmente os teleportes, já que muitas vezes atravessar um canto ao outro do mapa é se torna cansativo.

Jogabilidade divertida se sobressai aos tropeços

Em certos momentos, você assume o controle de uma metralhadora fixa ou um lança mísseis, o jogo se torna shooter em terceira pessoa. Porém, o que pode ser um pouco confuso às vezes é a profundidade que os inimigos se encontram. Isso porque o inimigo está no fundo da sala e seu personagem não tem como mirar exatamente nele, o jogo é que acaba assumindo uma mira automática para lhe ajudar, mas não temos o controle exato e o personagem pode acabar atirando para o teto, ou para qualquer outro lugar que você não deseja. Nas dificuldades mais baixas não chega a ser um grande problema, porém, ao elevar a dificuldade, a quantidade de mortes por erros como este tendem a subir, e muito. Outro problema é o fato de você não poder ajustar a sensitividade da mira do jogo, que é um pouco alta e algumas vezes você acaba errando um tiro, podendo até mesmo causar a sua morte por este erro.

Tirando esses pontos negativos, a jogabilidade é muito bem polida. Outras mecânicas como o double jump e a armadura especial são parecidíssimos com os encontrados em Metroid, o que para os fãs da franquia não será uma grande surpresa. Ainda assim, não deixam de funcionar perfeitamente bem e diversificar os quebra-cabeças.

A campanha tem duração média entre 10 e 12 horas se você quiser coletar todos os itens, expansões de munição, entre outras opções - e, acredite, não são poucos, tendo alguns muito bem escondidos no cenário. Temos também os proving grounds, que são tutorials e desafios, como pular certas plataformas no menor tempo possível, entre outras opções intrigantes. Para os que se importam com os rankings de melhores jogadores, temos também leaderboards online.

Bons efeitos de som para uma conclusão digna de sucesso

O áudio, apesar de simples, faz seu trabalho de uma ótima forma, através do barulho das explosões e da competente trilha sonora. Ainda que os sons das armas que você terá acesso durante todo o jogo poderiam ser mais bem trabalhados, ainda podem ser considerados de boa qualidade.

Shadow Complex não tem a intenção de inova o estilo “metroidvaniano” para um novo patamar, mas sim apresenta-nos um jogo extremamente bem polido que apesar de uma fórmula muito utilizada com o passar dos anos por vários títulos, ainda demonstra que funciona muito bem e foi capaz de mesclar a jogabilidade 2D com cenários 3D de uma forma espetacular e mostrar que não precisamos voltar no tempo para jogar um jogo divertido. Facilmente, é o melhor jogo da Live Arcade deste ano até agora.

Um investimento que vale muito a pena pelos 1.200 Microsoft Points (ou US$ 15) cobrados. E que sirva de inspiração para mais jogos do mesmo estilo e competência para a geração atual!

Lembramos que é possível baixar a versão Trial para experimentar Shadow Complex pela Xbox Live Arcade e, para terminar, publicamos o trailer apresentado na E3 para quem quiser ver um pouco mais das cenas in-game e se certificar da qualidade do título.

0 y gay:

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