The House of Dead é mais do que recuperar um modelo baseado na experiência de jogos de tiro, é seu carisma acessível, seu empenho e estilo único que atravessa o jogo desde a abertura até seu desfecho, que mantém cada capítulo dentro de uma tendência delirante. É um jogo que não tinha como ficar de fora do console da Nintendo aproveitando totalmente seu sistema de controle de movimentos.Confira os fatos!Overkill representa um regresso às origens da série e aos primeiros passos do Agente G, detetive misterioso de óculos escuros, que permanece em cena desprovido de detalhes, fator que leva Isaac Washington, seu parceiro, de temperamento ríspido e pouco educado. Sem grandes pontos de ligação entre eles, ambos são chamados a pôr um desfecho numa lista de desaparecimentos e acontecimentos mórbidos na cidade de Bayou City.Destinados a superar em conjunto a violência das criaturas infectadas, os protagonistas dilaceram o ambiente dentro de um cenário familiar para os amantes dos jogos de tiros, mas num ritmo cinematográfico de filmes B, das produções de baixo orçamento típicos dos anos oitenta.O enredo principal do jogo se desenvolve ao longo de sete níveis, apresentados como cartazes de cinema cada um com o seu tema alusivo e trazendo um chefe de fase no final de cada nível. O gráfico está bem concebido, não ocorrem grandes falhas significativas e a animação é suave ainda que em certas ocasiões os zumbis surgem em grande massa diante de efeitos de fogo, que se propagam simultaneamente sem nenhum travamento.Algo que acaba por ser determinante na apresentação da arte gráfica é a incorporação do efeito fita de cinema gasta, como se o retroprojetor fosse uma velha máquina do tempo dos filmes do John Wayne. O efeito insere muito bem nesta nova roupagem e convence pelo efeito de conjunto, até a voz off do narrador parece saída daquelas sinopses geralmente divulgadas no cinema para as estreias.O esquema do jogo não introduz grandes novidades perante os outros jogos da série, afinal um House of Dead é um festival de balística. Bastante popular nos arcade, filas de zumbis voltam a erguer-se para avançar na direção dos agentes e não há outra alternativa se não apontar no alvo e desfazê-los em pedaços. É a partir deste ponto que Overkill começa a triunfar definitivamente no console da Nintendo e permite mostrar às produtoras como é possível desenvolver jogos de qualidade.O avanço dentro dos níveis decorre de modo automático e por isso cabe ao jogador fazer a pontaria, apesar das dificuldades e tentativas para escapar das balas que complicam o processo de pontaria ao alvo até outras criaturas que rastejam pelo chão, ou ainda, em seções mais avançadas, desatarem a correr na direção dos protagonistas para os morder. Nessa situação a hipótese que sobra, depois de perdidos dois dígitos de vida é agitar incessantemente o controle do Wii remote até desprender a criatura. De resto, a utilização do Wii remote é uma maravilha para este gênero de jogos.Algo que sempre foi crítica neste gênero de jogos era em relação ao carregamento das armas. Por vezes a forma aplicada era apertar o gatilho apontando a arma para fora da tela. Acabando com esse esquema os jogadores agora têm duas alternativas. A mais simples e possivelmente preferida nas situações de maior aperto passa por apenas apertar o botão A. A outra forma, mais destemida sugere que se dê uma sacudidela no comando e assim temos a arma carregada.
Os produtores desenvolveram um novo processo de mira. Desta vez é possível alargar a área de visão fazendo pontaria para os dois lados, bem como para cima e para baixo. Não só é útil para descobrir alguns objetos de ajuda como também para trancar o alvo mais depressa em certas criaturas que se escondem em zonas mais apertadas do cenário.Progredir pela pontuação em busca do resultado máximo é uma das premissas do jogo havendo um medidor de combos que atualiza o multiplicador cada vez que são despachadas cinco criaturas por nível desde que não se atire uma bala ao lado do alvo. Acertar nos seres mutantes dá um festival de prazer, pelo impacto vibratório que se sente cada vez que é descarregada a arma, mas pelo efeito imediato causado nas criaturas em função da zona que é alvejada. Na cabeça é um ponto final na caminhada.De todo o modo a maior dificuldade que se impõem são as criaturas em maior número, elas avançam mais depressa e os carregamentos das armas têm de ser efetuados em momentos específicos sobre pena de se ficar na absoluta disponibilidade das criaturas.O jogador terá à disposição um bom arsenal de armas. A tradicional pistola é o ponto de partida, mas por cada área percorrida o agente vai obtendo dinheiro que lhe permite ir à loja comprar armas modernas e mais eficazes. Além disso, ainda é possível melhorar as armas selecionadas para um estatuto de prata ou ouro.No entanto, nem só de adversários mortos se faz Overkill já que por cada área há um conjunto de objetos a alvejar. O cérebro dourado, nem sempre escondido em zonas de difícil acesso, permite aumentar a pontuação enquanto que os packs de saúde são úteis para recuperar algum índice de vida. As granadas permitem arrebentar com hordas de zumbis mas é com o objeto que activa o modo câmara lenta, que se abre o espectáculo para o multiplicador da pontuação. Com a animação fortemente amputada fica mais fácil apontar a mira para a cabeça dos zumbis.Depois de completada a campanha inicial os jogadores libertam a opção Director’s Cut, ou seja, a campanha previamente completada, mas alargada a cenas não editadas e com dificuldade suplementar motivada pelo acréscimo de inimigos. Apesar de algumas falhas menores, Overkill permanece como um jogo de tiro superior, dentro de um gênero capaz de apelar aos jogadores mais exigentes e hardcore. O modo normal levará umas três a quatro horas. Podendo parecer pouco a opção director’s cut acrescentará mais um período de idêntica duração e sempre sobra o interesse em repetir a campanha pela pontuação máxima. House of the Dead está de volta do espaço das séries apontadas como mortas e ficará para sempre associada a esta inimaginável recuperação, acrescentando-lhe um forte carisma e estilo capaz de gerar em pouco tempo uma verdadeira obra prima.
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