Warhammer Online: Age of Reckoning

Introdução - Um novo desafiante para o campeão:

O gênero Massive Multiplayer Online Role Playing Game (ou MMORPG) é um dos mais lucrativos segmentos do mercado de games para PC. Isso explica o sonho e tentativa de muitas desenvolvedoras entrarem no ramo, afinal, diferentemente dos games convencionais, onde o usuário paga uma vez só, aqui todo mês é cobrada uma mensalidade, e a pirataria acaba sendo também totalmente controlada para restringir o acesso aos servidores oficiais. Porém, a realidade é que neste estilo o peso pesado da Blizzard, o game World of Warcraft, ainda é referência de sucesso e não dá muito espaço para a concorrência.

Se fôssemos comparar com uma luta de boxe, poderíamos dizer que WoW segue firme como campeão dos ringues, derrotando sucessivamente os que sobem no alambrado para tentar esboçar uma vitória. Todavia, todo campeão convive com o fato de um dia enfrentar um adversário que o surpreenda, e ao que tudo indica temos um novo round disputando o bolso dos jogadores, o MMORPG de fantasia Warhammer Online: Age of Reckoning (que abreviaremos nesta review para WAR). O universo do jogo é o conhecido e clássico da série e livros Warhammer, que virou um tradicional jogo de tabuleiro nos EUA e já ganhou alguns games anteriores no gênero estratégia, colocando o jogador no centro de uma batalha contínua entre o bem e o mal, ou Reino versus Reino (RvR).



Iniciando em WAR:

Se desejar participar dessa batalha, você terá de reservar espaço no disco rígido de seu computador, pois WAR é guloso no consumo de espaço: são dois DVDS de instalação que ocupam mais de 10 GB, isso sem contar as atualizações nada pequenas que são baixadas automaticamente após o processo com os DVDs. A seguir, é necessário criar uma conta e escolher um servidor para jogar (WAR é um jogo que requer assinatura - R$ 50 compram 60 dias de jogo). Uma vez criada a conta, é hora de escolher o servidor e decidir de que lado nosso personagem estará na guerra. Existem duas facções ou reinos; as Forças da Ordem e as Forças da Destruição. O jogador poderá criar até 10 personagens no reino escolhido para jogar.

Cada uma das facções conta com três tipos de raças, as quais se dividem em até quatro carreiras; estas últimas também variam dependendo do sexo que o jogador escolher para o personagem. As raças disponíveis do lado do bem são: Anões, Império e High Elves. Do lado do mal, temos as raças: Peles-Verdes (como orcs e globins), Dark Elves e Chaos. As carreiras garantem variedade de estilo de jogo e para citar um exemplo, os jogadores que escolherem os Anões poderão optar pelas carreiras de Engenheiro (criando explosivos e armas automáticas), Ironbreaker (um forte e furioso guerreiro) ou Runepriest (uso de magia).

Durante o jogo, o desenvolvimento do personagem é rico em variedades graças aos bônus táticos, habilidades morais, missões e objetivos específicos, permitindo que o jogador construa um herói distinto à medida que avança. O nível final que pode ser atingido é 40 – o que parece um pouco baixo, mas vai exigir bastante tempo e dedicação dos jogadores para alcançá-lo.



Complexidade, variedade e imersão:

Ao conectarmos ao servidor, não experimentamos qualquer problema de conexão, tudo fluiu perfeitamente e não demoramos muito para entrar no universo de WAR. Nosso personagem começou sua aventura em um pequeno vilarejo de um grande mapa que já de cara surpreende pelo mundo dinâmico que se apresenta na tela. São NPCs viajando pelas estradas, jogadores em equipe combatendo monstros, outros negociando com mercadores e ainda alguns vagando isoladamente.

Para aqueles que já estão acostumados ao gênero MMORPG, Warhammer não trará grandes problemas de adaptação. Entretanto, os novatos no gênero, poderão se assustar de primeira devido ao nível de detalhamento, complexidade e imersão. Quase tudo na interface é intuitivo, mas exige bastante atenção do jogador e uma consulta rotineira ao manual (que às vezes não é muito claro em certos aspectos) para que se aprenda a jogar, e com este aprendizado aumente também a diversão. Há pelo menos dois problemas que acabam fazendo o jogador perder tempo de jogo no início, os pequenos ícones encavalados no mapa (que pode ser solucionado ativando um filtro) e o fato de certos NPCs importantes não ganharem tanto destaque no cenário, dificultando assim a sua localização – principal exemplo disso são os Flightmasters, que permitem que os jogadores viagem diretamente de um mapa a outro.

Mas, apesar deste primeiro entrave e de uma curva média de aprendizado que exigirá dedicação, WAR traz um jogabilidade bastante imersiva, com um vasto mundo de informações, lugares e coisas para se fazer, que ficamos indecisos por onde começar no primeiro contato que temos com o jogo.

Para ajudar o jogador a administrar e entender tudo isso, existe o Livro do Conhecimento, uma das ferramentas mais importantes neste jogo. É uma espécie de combinação do Diário dos RPGs, estatísticas de progresso, um riquíssimo e criativo sistema de achievements, e uma vasta enciclopédia que acumula dados conforme o jogador explora cenários e descobre novos monstros e personagens. É o lugar onde tudo do jogo pode ser encontrado, um prato cheio para quem quer se aprofundar nos mínimos detalhes do jogo.



Missões individuais, cooperativas e públicas:

As missões de WAR estão dentro do padrão já conhecido dos MMOs: achar pessoas ou objetos perdidos em lugares repletos de monstros, conversar e convencer alguém para determinada coisa ou mesmo matar um grupo de inimigos. Elas podem ser feitas de maneira individual ou podem ser jogadas no modo cooperativo. Formar uma equipe é fácil, basta clicar no ícone específico que imediatamente uma lista de grupos abertos aparece ao jogador. O problema que enfrentamos aqui é que o game não ajuda muito em como localizar as outras pessoas no cenário, especialmente se os jogadores estiverem muito longe de nós.

Porém, a novidade que realmente se destaca pela sua diversão e funcionalidade é a presença das Missões Públicas (ou Public Quests). São missões onde um grande grupo de jogadores participam de forma cooperativa contra os personagens do ambiente do jogo (PvE). Existem mais de 400 delas espalhadas pelo universo do game e a vantagem é que não há burocracia nenhuma para participar, basta entrar na região indicada pelo mapa e pronto, a batalha é imediata. Estas missões são divididas em estágios diferentes, que consistem em matar inimigos cada vez mais poderosos. Ao finalizar a missão um baú de ouro aparece no mapa e os jogadores são classificados pelo nível de contribuição individual que deram ao sucesso da equipe e em base nisso são recompensados. Participar destas missões dá ao jogador reputação, influência e experiência.



Combate e muita ação em diversos níveis

Não há dúvidas que o grande trunfo de WAR são as batalhas de jogadores contra jogadores (PvP). Não há necessidade de irmos até o final do jogo para uma grande e épica batalha – ela já está acontecendo em diversas instâncias e todos podem participar quase que imediatamente. Existem zonas do mapa passivas de controle e, uma vez dominadas, os jogadores avançam nos territórios inimigos até chegar à capital para fazer um cerco com destruição e roubo.

Além da disputa geográfica da batalha de Campanha, há também outros possíveis combates como: Skirmishes (batalhas casuais entre jogadores nas áreas RvR de cada zona), Battlefields Objectives (batalhas baseadas em objetivos) e Scenarios (batalhas em cenários fechados com 15 minutos de duração e contando com até 18 jogadores). O diferencial aqui é a detecção de colisão para com os inimigos mudando bastante a dinâmica da partida, não permitindo que uns “atravessem” os outros em combate. Até em termos de equilíbrio, o jogo se mostrou bem coerente, dando em algumas batalhas de RvR mais pontos de vida aos iniciantes para que eles não fossem exterminados como galinhas. Aliás, se transforma temporariamente em galinha quem deliberadamente ataca e mata jogadores novatos. Com o agressor nesse estado, o jogador novato tem tempo para fugir ou tentar matá-lo – portanto não se surpreenda ao ver alguns correndo atrás de galinhas nos mapas de WAR. O que importa é que não vai faltar ação para jogadores interessados em combate.



Gráficos competentes, som quase lá

Considerando que WAR é um MMORPG e busca atingir o maior número de jogadores possível, não há preocupação de apresentar um gráfico de última geração. Isso não significa que os mesmos não são belos, pelo contrário, o ambiente pende mais para o realismo (que faz jus ao universo de guerra e caos) com algumas partes mais inspiradas que outras. As animações são bem simples e se limitam aos já movimentos conhecidos padrões, sem nenhuma novidade.

Os cenários são diversificados com uma mistura de ambiente urbano e rural, com regiões de diferentes climas, contando com ciclo de dia e noite. O mapa é rico em detalhes e ótimo para exploração, cheio de objetos que se pode clicar. Notamos apenas que muitos cenários ainda carecem de uma presença mais maciça de jogadores, o que provavelmente pode ser melhorado em breve ou em horários de pico.

Quanto ao som, WAR poderia ser um pouco melhor, pois quase não há músicas durante o jogo. O que se tem em abundância são os efeitos sonoros, competentes e variados – mas fica uma impressão de vazio e um toque de tédio após algumas horas.



Um desafiante à altura

Só o tempo dirá se Warhammer Online conquistará os corações (e os bolsos) dos jogadores, especialmente aqueles que já conhecem WoW. O que de fato percebemos é que WAR cumpre muito bem o seu papel como jogo interativo - foi concebido de uma maneira que não há como querer se isolar ou jogar sozinho. Um local para fazer amigos, divertir-se em combates e explorar mundos.

Complexo, imersivo, com vasto conteúdo, Warhammer Online: Age of Reckoning tem de tudo para deixar os fãs de MMORPG entretidos por muito tempo e quem sabe, tornar-se o desafiante que surpreenda a concorrência.

0 y gay:

Postar um comentário